quarta-feira, 9 de junho de 2010

Trânsito e feriado


Aproveitei o feriadão pra matar a saudade da fronteira, afinal de contas Livramento não tem culpa de abrigar o Rincão do Atraso (cabeças tartufas) que lhe corroí as entranhas. Mas, o assunto aqui é outro. Saí de Porto Alegre na quinta feira pela manhã, dia bonito e estrada absolutamente cheia.

Desde a saída da ponte do Guaíba até a chegada na fronteira. Um caos.

Carrões, camionetes, caminhões e muitos carros populares.

Pior, motoristas despreparados, em alta velocidade e desobedecendo sinalizações básicas.

Comentamos no carro que teríamos o anuncio de recordes de acidentes e mortos no final do feriado.

De fato o numero foi recorde, entretanto aquém do que imaginei.

Morreram 38 pessoas, numero baixo diante dos absurdos e dos acidentes que presenciei.

Alguns comemoram os recordes de vendas de carros novos todos os meses, a nova classe média comprando automóveis em 60, 70 e até 80 meses.

Na contramão de tudo isso, temos estradas pedagiadas caras e de péssimas condições.

O exemplo disso é pegar a BR 290. Você paga três pedágios e trafega por pontes estreitas, asfalto ruim, estradas simples e muitas vezes sem acostamento.

Ao final do trecho Pedagiado, na altura de Santa Margarida até Livramento ás obras do PAC, mostram como podemos trafegar em boas estradas (pelo menos o asfalto é superior) federais sem pagar nada por isso.

Me dizia um amigo gaiato, “Se o Fogaça ou Yeda ganham as eleições, este trecho ta pronto pra entregar para os pedágios”.

Já em casa, imaginei no domingo a noite que havia me safado do caos no trânsito, triste engano.

Segunda feira ao apanhar as crianças na escola, terminei por bater outro recorde. Levei quase duas horas para percorrer 7 km.

Ontem fiquei sabendo que o grande congestionamento na capital foi causado por um acidente envolvendo ônibus e automóveis na Castelo Branco, saída de Porto Alegre.
O acidente ocorreu ás 14 horas e eu cheguei em casa ás 20 horas na zona sul, que via de regra nada teria a ver com a saída da cidade. Deve ter sido culpa dos Portais da Cidade prometidos pelo ex-Fogaça.

E esta gente ainda pretende Porto Alegre como sede da Copa do mundo em 2014.
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Em tempo: Clique aqui para ler a contradição e a demagogia de hoje no jornal (?) Zero Hora.
Alerta feito pelo Sociólogo Cristóvão Feil no Diário Gauche.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

oliver stone em apoio a Dilma

Tarso Genro está muito enganado


Trocamos uma indústria obsoleta e poluente por energia e alta tecnologia criativa e sustentável

Admira que o pré-candidato Tarso Genro (PT) tenha dito ao jornal Zero Hora, edição de ontem (01/6), que o assunto da montadora Ford é "um tema superado" (ver fac-símile acima).

Logo agora que o ex-ministro da Justiça anda em (justo e sincero) périplo pelo interior do estado fazendo autocrítica por ter desafiado (e vencido) o então governador Olívio Dutra, quando este era objeto dos ataques mais infames contra a sua administração, de resto, correta, participativa e agregadora.

É sensato que o próprio Tarso Genro não deva se envolver diretamente nessa polêmica interminável, seja por causa da morosidade judicial, seja porque a direita tomou o tema como mote principal para as tantas disputas eleitorais que aconteceram na última década.

Mas o Partido dos Trabalhadores, e a Frente Ampla, novo batismo da velha Frente Popular, podem e devem esclarecer - no rádio e na televisão - a população sul-rio-grandense sobre a farsa chamada "PT mandou a Ford embora".

O PT, e sobretudo o cidadão Olívio Dutra, sofreram um longo e tenebroso inverno político-eleitoral de 10 anos motivado pelas palavras de ordem da direita, baseado no teatro mambembe do caso Ford. Isso não pode ficar assim.

O tema não está superado, de forma alguma, em absoluto.

É preciso fazer da sentença judicial condenatória da Ford um atestado de idoneidade da administração petista de Olívio Dutra - uma administração moralmente inquestionável.

A população deve saber que a montadora foi embora por "livre e espontânea vontade", como lembra o próprio Tarso. Ainda assim, a Ford não se preocupou em ressarcir os cofres públicos dos adiantamentos pecuniários que logrou conquistar ainda no governo Antonio Britto (PMDB). Por isso a presente condenação indenizatória ao Tesouro estadual.

Para tanto, o governo Olívio compensou o estado com políticas de implantação de infraestrutura industrial e tecnológica de importância estratégica e valor permanente.

Só para citar duas políticas e ações administrativas implantadas pelo governo Olívio:

1) a rede de gás natural e energia elétrica que superaram o "apagão" de FHC e fomentaram baixos custos na indústria sulina;

2) a implantação das bases do Ceitec, hoje, um própero empreendimento estatal de criação de Tecnologia da Informação no RS, uma referência mundial em microchips.

Quer dizer, noves fora: foi-se uma indústria obsoleta, de baixa tecnologia, poluente, parasita dos cofres públicos (aqui e nos EUA), insustentável sob todos os aspectos e vieram gás natural, energia elétrica para todos, e um centro de excelência em alta tecnologia - berçário de dezenas de pequenas e médias indústrias de tecnologia no Rio Grande do Sul, agregadores de emprego e renda.

O caso Ford, portanto, deve ser mote para debater um novo tempo para o RS, um tempo para se construir um presente e um futuro de autonomia para todos.
Artigo do brilhante sociólogo Cristóvão Feil no imperdível Diário Gauche

Recebi a Hillary Clinton porque o Amorim pediu, diz Lula

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Lei Eleitoral é hipócrita. E serve ao Serra



Ministro Mello, do TSE: vamos supor que o Brasil não seja uma democracia
No Brasil, rico não vai para a cadeia.


A lentidão da Justiça é para beneficiar os ricos.

O poder de entrar com recursos é para ajudar os ricos.

Rico não usa algema.

Negro não vai a restaurante chic.

Garçom negro não trabalha em restaurante chic.

Negro só entrou na universidade com o ProUni.

No Brasil ainda tem trabalho escravo.

Tem gente que ousa dizer que o Brasil não é racista.

Quando o Lula fez o Bolsa Familia para dar comida aos pobres, disseram que é o “Bolsa Malandragem”.

Tres familias controlam os meios de comunicação – são os que falam em “Bolsa Malandragem”.

Nessa pseudo-democracia, só quem tem liberdade de expressão são os donos da “liberdade de imprensa”.

A Globo tem 50% da audiência e, com isso, controla 70% da publicidade em tevê, que é 50% de toda a publicidade do país.

A rádio-difusão no país se regula por uma lei de 1961, quando não havia televisão.

O Brasil é o único país da Operação Condor que perdoou os torturadores.

No Brasil, o candidato gasta quanto quiser para se eleger.

E ainda dizem que o Brasil é uma democracia.

Uma das poucas coisas democráticas do Brasil é o horário eleitoral gratuito.

É quando o partido trabalhista pode, teoricamente, enfrentar o poder da grana do partido conservador.

Todo mundo sabe, desde sempre, que o Serra é candidato.

Que usou – e usa – a grana do povo de São Paulo para se eleger.

Serra chegou a anunciar água da Sabesp no Acre.

E a Justiça Eleitoral ?

Calada !

Todo mundo sempre soube que a Dilma é candidata do Lula.

(Menos o Ciro, talvez.)

Que o Lula não é a Bachelet e não vai deixar os conservadores tomarem o poder, para vender o Bolsa Familia à Wal Mart e o pré-sal aos clientes do davizinho.

Todo mundo sabe.

E fica essa pseudo-democracia do PiG (*) a falar em “pré-candidato”.

Essa pseudo-democracia do PiG (*), que, como diz o Emir Sader – clique aqui par ler – é o maior obstáculo à vitoria acachapante do Serra.

Esse PiG (*) que endeusa os magistrados que dizem o que ele quer.

Juízes que dão HC a passador de bola apanhado no ato de passar bolsa, em nome da Democracia !

E o TSE a perseguir a Dilma e o Lula, em nome dessa pseudo-democracia.

E deixa o Serra solto.

Pura hipocrisia.

Para fingir que o Brasil é uma democracia.

Para ocupar as páginas do PiG (*).

E derrubar o regime trabalhista com um golpe branco (“democrático”).

Sem precisar ir às urnas.

Clique aqui para ver o que diz o Tijolaço do Brizaola Neto, que re-lançou a campanha da legalidade: eleição se ganha no voto.

Honduras, que tal ?

Esse pessoal pensa que o Lula é o Zelaya.

Não é, Feijóo ?


Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada

Israel: novo massacre humanitário?

Os capítulos da história são tão claros, quanto dramáticos. Primeiro os judeus obtêm a aprovação da ONU para a construção do Estado de Israel. Para isso expulsam milhões de palestinos que ocupavam a região. Em seguida, aliados aos EUA, impedem que o mesmo direito, reconhecido igualmente pela ONU, seja estendido aos palestinos, com a construção de um Estado soberano tal qual goza Israel.

Depois, ocupação dos territórios palestinos, militarmente, seguida da instalação de assentamentos com judeus chegados especialmente dos países do leste europeu, recortando os territórios palestinos.

Não contentes com esse esquartejamento dos territórios palestinos, veio a construção de muros que dividem esses territórios, buscando não apenas tornar inviável a vida e a sustentabilidade econômica da Palestina, mas humilhar a população que lá resiste.

Há um ano e meio, o massacre de Gaza. A maior densidade populacional do mundo, cercada e afogada na sua possibilidade de sobrevivência, é atacada de forma brutal pelas tropas israelenses, com as ordens de que “não há inocentes em Gaza”, provocando dezenas de milhares de mortos na população civil, em um dos piores massacres que o mundo conheceu nos últimos tempos.

Não contente com isso, Israel continua cercando Gaza. Um ano e meio depois nem foi iniciado o processo de reconstrução, apesar dos recursos recolhidos pela comunidade internacional, porque a população continua cercada da mesma maneira que antes do massacre de dezembro 2008/janeiro 2009. As epidemias se propagam, enquanto remédios e comida apodrecem no deserto, do lado de fora de Gaza, cercada como se fosse um campo de concentração pelas tropas do holocausto contemporâneo.

Periodicamente navios tentavam levar comida e remédios à população de Gaza, chegando por mar, de forma pacífica, mas sistematicamente eram atacados pelas tropas israelenses. Desta vez a maior comitiva internacional de paz, com cerca de 750 pessoas de vários países, se aproximou de Gaza para tentar romper o bloqueio cruel que Israel mantêm sobre a população palestina. Foi atacada pelas tropas israelenses, provocando pelo menos 19 mortos e várias de dezenas de feridos.

Quem representa perigo para a paz na região e para a paz mundial? O Irã ou Israel? Quem perpetra massacres após massacres contra a indefesa população palestina? Quem impede que a decisão da ONU seja colocada em prática, senão Israel e os EUA, bloqueando a única via de solução política e pacifica para a região – o reconhecimento do direito palestino de ter seu Estado? Quem comete os piores massacres no mundo de hoje, senão aqueles que foram vítimas do holocausto no século passado e que se transformaram de vítimas em verdugos?
Texto do Emir Sader em seu blog.