quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Os muitos editorialistas de Zero Hora


Formalmente, o jornal Zero Hora publica dois editoriais nas edições do principal diário da família Sirotsky, o jornal Zero Hora. Entretanto, muitos empregados da firma fazem as vezes de editorialistas informais do jornal. São os chamados leguleios, os formalistas, os que pegam ao pé da letra o pensamento e o vetor político-ideológico dos patrões. Entre estes, enumeram-se muitos articulistas, diagramadores, fotógrafos, colunistas, repórteres, editores, etcetera. Trata-se, sem dúvida, de um grupo coeso e untado pelo óleo da sabujice e o aroma da lã ovina in natura.

Vejam essa pretendida charge publicada hoje. Nada mais impertinente, irreal e de mau agouro. O Rio de Janeiro avisa que o futuro do RS é trágico, conforme o traço mambembe do chargista. A realidade não aponta nada disso, não há nenhum elemento ou indício que garanta essa conclusão estúpida, mas o celetista de ZH, sim. Ele está garantindo, ele está dizendo, através de um editorial particular, mas consoante a mentalidade corporativa da firma, que o Rio Grande do Sul pode se preparar para o pior: que viveremos quatro longos anos de choro e ranger de dentes, que o crime organizado vencerá e que a cidadania viverá acuada e em permanente pânico.

Os editorialistas de Zero Hora prometem dar muito trabalho ao futuro governo Tarso Genro.

Observações pertinentes do sempre vigilante sociólogo gaúcho, Cristóvão Feil no Diário Gauche

Chapa 3 vence em processo eleitoral do DCE / UFRGS legitimado por grande votação


Quase 20% dos estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul votaram, apesar de diversas tentativas de golpe por parte da situação, e legitimaram as eleições para o Diretório Central de Estudantes da UFRGS. Com dois mil e trezentos votos, a Chapa 3 – Oposição Unificada foi a grande vencedora. A situação, representada pela Chapa 1, ficou em segundo lugar, com 1300 votos, e a Chapa 2 teve 850 votos.

O último dia de votações não teve os problemas de agressão de segunda-feira, mas começou com nova tentativa de destruir o processo eleitoral democrático. Email recebido por esse repórter às 4h20min da madrugada, enviado pela lista da Comissão Eleitoral – ou seja, para todos os alunos – dizia que a eleição estava suspensa por decisão da Comissão Eleitoral.

O email afirmava que o motivo era a perda de controle da Comissão sobre o processo, por atitudes da Reitoria, da Secretaria de Assistência Estudantil e da Chapa 3, que teria agredido o presidente e o tesoureiro da Comissão Eleitoral, Adrio de Oliveira Dias e Cleber Machado. Vídeos das ocasiões não mostram essas agressões, mas Cleber Machado aparece rasgando atas de votação da Faculdade de Educação.

O email foi enviado também aos Diretores de Unidade onde estavam ocorrendo as votações, solicitando o fechamento das urnas. Adrio e Leonardo Pereira, que assinam o email, porém, não foram atendidos. Eles já não eram mais reconhecidos como integrantes da Comissão Eleitoral por ela própria, pelos estudantes e pelos Diretores, por terem se manifestado publicamente a favor de uma das chapas (1) ou contrariamente a outra (3). Kátia Azambuja assumiu, então, como presidente da Comissão Eleitoral, e deu prosseguimento normal ao processo.

Rodolfo Mohr, integrante da Chapa 3, comemora: “Foi a grande vitória da democracia, daqueles que ousam lutar pra mudar nossa universidade, nosso mundo. Foi uma vitória contra os filhos da pior direita do RS, que não têm apego às liberdades democráticas, à garantia mínima de respeitar o direito de seus colegas, do povo. Foi a mostra de que a UFRGS não tolera a turma da Yeda, não tolera esse tipo de prática, uma verdadeira vitória da esquerda, dos estudantes.”

Alexandre Haubrich

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mídias e os tempos sombrios da ditadura militar

Dilma nem chegou ao governo e já enfrenta uma onda de acusações. Como nada podem falar do presente, foram buscar no passado lenha para acender suas fogueiras prediletas. Esta visão inquisitorial tem uma triste história no Brasil, desde o passado colonial.

A intriga e a calúnia continuam a assombrar aos brasileiros. As grandes mídias insistem na desqualificação da presidenta eleita. Foram como abutres aos arquivos oficiais do Estado para conseguir combustível, insistindo na tese de que a eleita é uma ‘criminosa’, não tendo por isto condições e legitimidade para governar. Querem continuar um processo que já foi encerrado.

Agora, o objetivo não é mais de ganhar a eleição. Já perderam. O que desejam é paralisar a eleita, fazendo-a reviver o pesadelo de sua juventude. Lembrar o que ela já foi, obviamente, na versão parcial e difamatória a que estão acostumados. Afinal, o Estado sempre foi ‘pilotado’ por homens que jamais se levantaram contra a simbiose desse com as elites do país.

Lula sempre incomodou por ser um líder operário, grevista, que desafiou a ditadura militar e criou com os sindicatos combativos e a esquerda atomizada do final dos anos setenta, o Partido dos Trabalhadores. Nunca antes, isto havia ocorrido na história do país, cheia de ‘personalidades’ e compromissos com os mesmos de sempre.

A real politik alcançou o PT e o ímpeto mais radical de origem foi contido. Seguiu-se no país uma tendência generalizada no mundo de depois da queda do Muro de Berlim. No atual contexto, os neoliberais tentam de todo jeito ganhar terreno e oprimir mais e mais os trabalhadores. Querem por toda parte que eles paguem a fatura da crise que criaram. As novas oposições populares fazem o que podem para manter conquistas e fazer avançar os direitos dos trabalhadores.

O desenvolvimentismo social-democrático dominou a sigla brasileira no poder. A verdade é que houve progressos imensos no front do combate da miséria. Mas ainda há muito que fazer, tal como a presidenta eleita confirma e se propõe a executar. O problema é se os interesses nacionais e internacionais permitirão mudanças, mesmo que seus prejuízos sejam praticamente inexistentes. Eles querem sempre mais.

Para manter a ordem intacta, eles tentam de tudo. Com uma das mãos acenam com a aceitação da vontade popular, com a outra brandem, por meio das grandes mídias, suas armas preferidas: a intriga e a calúnia. Dilma, mulher e guerrilheira nos anos de chumbo do Brasil, é muito mais do que eles conseguem tolerar. Temem que ela vá além de Lula, fazendo, por exemplo, o que sua colega da Argentina fez. Acabando com a impunidade dos criminosos da época da ditadura, abrindo para valer os arquivos secretos dos militares e dizendo a todos qual é a verdadeira história destas mídias que tanto a difamam.

Dilma nem chegou ao governo e já enfrenta uma onda de acusações. Como nada podem falar do presente, foram buscar no passado lenha para acender suas fogueiras prediletas. Esta visão inquisitorial tem uma triste história no Brasil, desde o passado colonial. Isto só vai acabar quando seus fundamentos socioculturais forem enfrentados em profundidade. Os armários dessa gente têm mais esqueletos do que os ingênuos imaginam. Basta abri-los e deixar entrar a luz purificadora do sol.

Já se disse que a verdade histórica ilumina a democracia. O nazismo foi combatido na Alemanha durante anos, após o seu triste final. A desnazificação construiu a Alemanha atual, uma campanha sistemática que mostrou aos alemães os porões do hitlerismo. O mesmo esforço ainda é feito na Espanha pós-franquista, apesar de muita resistência das viúvas e viúvos do velho ditador.

Por aqui, quase nada falamos sobre os horrores do passado escravista do Brasil. O esquecimento preenche as lacunas da memória nacional. O mesmo foi feito com as excrescências das várias fases republicanas do país. Já se esqueceu da “grande noite” do Estado Novo e da ‘noite de horrores’ da ditadura militar.

A história do país continua sendo ensinada como uma arte do esquecimento. Não chega à maioria das escolas as verdades reais do passado do país. Por isso, é fácil destacar fatos isolados, pinçá-los, sem qualquer escrúpulo e gritar que a Dilma é alguém pouco confiável. Com isto, se quer paralisá-la, impedir sua marcha e conter qualquer ímpeto mais profundo do seu futuro governo. Espera-se que ela não peça desculpas pelo que foi no passado e que aproveite a oportunidade para denunciar os que a agridem.

Luís Carlos Lopes é professor e escritor.

domingo, 21 de novembro de 2010

OS MARIDOS QUE NÃO QUEREMOS PARA NOSSAS FILHAS

Hoje me deparo com um artigo na ZH escrito por um professor Universitário com o título " Os Maridos que queremos para nossas filhas". No artigo deparo com um pensamento machista que acusa o movimento feminista de confundir os ideais de masculinidade e feminilidade. Pelo que vejo este professor é que confundiu o que é feminismo do que é masculinidade e feminilidade, pois bem, vamos ao nosso famoso Wikipédia para esclarecer alguns pontos:
"Em antropologia, a feminilidade se refere às características e comportamentos considerados por uma determinada cultura por ser associados ou apropriados a mulheres. A feminilidade refere-se aos traços socialmente adquiridos e às características sexuais secundárias."
"Em antropologia, a masculinidade se refere à imagem estereotipada de tudo aquilo que seria próprio de indíduos machos, principalmente em análises da sociedades humanas. Faz oposição ao termo feminilidade".
"O Feminismo é um discurso intelectual, filosófico e político que tem como meta direitos equânimes e uma vivência humana liberta de padrões opressores baseados em normas de gênero. Envolve diversos movimentos, teorias e filosofias advogando pela igualdade para homens e mulheres e a campanha pelos direitos das mulheres e seus interesses."
Agora , dizer que o feminismo declarou guerra a feminilidade e a masculinidade é ser um pouco medíocre e simplista, o feminismo declarou guerra a desigualdade de gênero.  Conquistou o direito ao voto, igualdade legal  e social para as mulheres.
Tenho um casal de filhos, meu filho é um adolescente saudável, nunca pegou em arma de brinquedo e não se envolve em brigas, porém, tem amigos de carne e osso, pratica esporte, é excelente em matemática e não tem nenhum perfil de ser  fraco ou fracassado, por não ser o típico "machão" que alguns retrógrados da sociedade machista insiste em formar. Tenho orgulho de estar formando um cidadão consciente que não tem a mentalidade que pra ser "homem" com h maiúsculo precisa mover coisas pesadas e ser provedor de alguma dondoca que espera por um príncipe encantado. Ele com certeza saberá respeitar e amar uma mulher e jamais utilizará da violência contra alguma delas. 
Por outro lado, tenho uma filha que está sendo orientada  para ser uma mulher independente, sem contos de fadas, e que não vai precisar de marido pra "mover coisas pesadas",  pra sustentá-la e nem pra comandar sua vida, que não vai permitir violencia física ou moral contra si.
O que se vê é o desespero de machistas como estes de plantão que ainda querem escolher um brutamonte para suas filhas justificando que este é o ideal para elas, mas o que está nas entre linhas, é que querem mesmo é a perpetuação da sua espécie e estão se lixando para as suas meninas e admitindo qualquer tipo de violência contra elas. 
Pescado do Blog Mundo estranho de Alice

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quem projetou e criou o Ceitec?

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Foi o governo Olívio Dutra, depois de fazer uma opção política estratégica para o estado

O jornal Zero Hora faz uma matéria na edição de hoje (página 26) sobre a primeira fábrica de chips da América Latina, o Ceitec - Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada - uma empresa estatal, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, da União Federal.

A matéria carrega visível má vontade com o governo que projetou e criou o Ceitec, o governo Olívio Dutra (1999-2003). Ocupando 90% do espaço de uma página, ZH consegue não informar - ocultar mesmo - que os governos petistas estadual e municipal de Porto Alegre, então, em parceria com a Motorola, conseguiram viabilizar a implantação de uma unidade de alta tecnologia no Rio Grande do Sul, em detrimento de uma montadora de automóvel, com tecnologia obsoleta, ambientalmente insustentável e exigente de incentivos estatais que exorbitavam o limite da responsabilidade de governantes responsáveis com a isonomia orçamentária. Aliás, o Ceitec simboliza a opção moderna que busca a autonomia tecnológica do estado, face à opção dependente, subordinada e obsoleta da montadora insustentável. Esse embate, a meu ver, pode ter resumido e sintetizado o governo petista de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul. Trata-se de um patrimônio político que deve ser resgatado pelo PT/RS, como afirmação de projetos que olham para o futuro e não para o passado. A politização deste tema é tarefa permanente para os petistas, especialmente agora que se preparam para retomar a direção administrativa do estado.
O texto de ZH ainda zomba do atual presidente da estatal, Cylon Gonçalves da Silva, afirmando que este teria pedido desculpas a uma plateia na Fiergs pelo fato de a Ceitec ser "uma repartição pública". A fotografia de Silva, que ilustra a matéria, não poderia ser pior, mostra-o de boca aberta, com ar acuado de quase pânico. Os signos gritam. A subjetividade ouve.

Alguém poderá alegar que isso são detalhes pouco percebidos pelo leitor, blablablá... Não são detalhes ingênuos e desprovidos de astúcia. Ao contrário, são relevantes porque portadores de um discurso de desconstituição subjetiva, tanto do governo Olívio (por omití-lo do mérito do projeto inovador e modernizante), quanto dos futuros governos Tarso e Dilma, pela ameaça que estes podem representar ao ultraliberalismo desestatizante defendido por ZH e materializado na Ceitec.

Os editores do jornal sabem que certo leitorado não se interessa por determinados blocos de assuntos, mas não deixa de repassar as páginas e fixar os principais elementos gráficos-ilustrativos, motivo suficiente para absorver signos não-verbais habilitados a lhe aportarem um sentido (complementar e conclusivo ao texto). Assim, o texto escrito é somente parcela incompleta da comunicação. Esta se completa, ou seja, se preenche de sentido, quando combinada com as imagens, referências gráficas, fotografias, diagramação, e até fotografias/imagens da matéria vizinha.

Nesta toada, prevejo (mas quero estar errado): a RBS vai dar muito trabalho ao futuro governo Tarso Genro. Temo que este não esteja preparado, como não esteve o governo Olívio Dutra, e muito menos o Partido dos Trabalhadores - ontem, hoje e sempre.


Texto inconfundível do sociólogo gaúcho Cristóvão Feil no Diário gauche

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quanto vale a palavra de torturadores?


O Superior Tribunal Militar abriu o processo da Presidenta eleita, Dilma Rousseff, que um órgão da imprensa – aquele cuja executiva disse que a mídia é o partido político da oposição – buscava afoitamente na reta final da campanha eleitoral.

O que teremos nesse processo? A versão que os torturadores davam das suas vítimas, dos torturados. Essa mesma imprensa que reclamava, com razão, da censura, vai agora acreditar no que os verdugos diziam do crime monstruoso da tortura, que praticavam? E do comportamento das vitimas indefesas desse crime hediondo?

É como se levassem a sério o que os censores devem ter escrito sobre as publicações que censuravam e os jornalistas. Nós nunca os tomaríamos a sério, utilizamos os documentos da censura para denunciar ainda mais o obscurantismo da ditadura.

O processo tem que ser mais um instrumento de denúncia da tortura – crime imprescritível – e não instrumento de manipulação política justo do jornal que emprestou carros para que a órgãos da ditadura, disfarçados de jornalistas, cometessem suas atrocidades. O mesmo órgão que considerou que não tivemos uma ditadura, mas uma “ditabranda”.

O processo é um testemunho dos agentes do terror, daqueles que assaltaram pela força o Estado, destruíram a democracia e se apropriaram dos bens públicos para transformá-los em instrumentos dos crimes hediondos que cometeram – em nome da “democracia”.

Nas mãos de democratas, se transformará em mais uma prova da brutalidade dos crimes cometidos pela ditadura militar contra seus opositores. Nas mãos dos que foram complacentes e se beneficiaram da ditadura, será instrumento político torpe. A mídia que acreditar no que diziam os torturadores, será conivente com eles, ao invés de denunciar os crimes que eles cometeram.

Para os que se sujaram com a ditadura é insuportável que houve gente que se comportou com heroismo e dignidade. Querem enlamear a todos, porque se houve tanta gente que resistiu à ditadura, mesmo em condições limites, havia alternativa que não a conciliação e a conivência com a ditadura.
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