segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Lacerda na atualidade, a imprensa e o golpe




Lendo os grandes portais de notícias, jornais impressos, telejornais, revistas e até mesmo ouvindo rádio, é impossível não se lembrar de Carlos Lacerda, da UDN e dos golpistas orquestrados pela mídia da época e em particular no jornal “Tribuna da Imprensa” (sic) e do sentimento plantado por eles contra o “Getulismo” daquela época e a similaridade do que ocorre diuturnamente na mídia de hoje contra Dilma, Lula e, via de regra,  do anti-petismo implementado a partir dos grandes monopólios de comunicação no Brasil.

Quero me deter nos anos de 1950 e a partir dele. Neste período, o jornalista e político Carlos Lacerda assumiria nacionalmente o papel de um dos principais opositores (se não o maior) a Getúlio Vargas e seus herdeiros políticos.

É importante contextualizar esta história “Lacerdista”, durante a longa e polêmica discussão sobre a exploração e refino do petróleo no Brasil já no governo Dutra, Lacerda foi demitido do jornal Correio da Manhã em maio de 1949 em função a vários artigos agressivos contra Grupo Soares Sampaio, cuja família era amiga íntima de Paulo Bittencourt, proprietário do jornal. Em 27 de dezembro, no mesmo ano, nasce o Jornal Tribuna da Imprensa graças a uma grande mobilização de políticos udenistas, católicos conservadores como Gustavo Corção e de grupos empresariais vinculados ao capital externo ante o nacionalismo que começava a tomar conta de setores do Exército e da própria burguesia industrial, e que conseguiria paralisar a tramitação de um projeto governamental que garantiria participação de investimentos estrangeiros na exploração do petróleo.

Quando da aproximação do pleito presidencial de 1950, havia uma grande movimentação dentro (e fora) da UDN contra a candidatura do então Senador Getulio Vargas. Ataques virulentos viriam, quotidianamente, do jornalista Carlos Lacerda; este se torna - dentro da UDN e fora dela - a encarnação militante do antigetulismo, nada poupando a figura de Getúlio Vargas, a quem se referia em termos bem distantes da tradicional elegância dos bacharéis udenistas: "Esse traidor profissional aí está (...) morrerá algum dia de morte convulsa e tenebrosa. Pois ninguém como ele para morrer de morte indigna, da morte de mãos aduncas em busca do Poder, ó pobre milionário de Poder, ó insigne tratante, ó embusteiro renitente! Ele louva e lisonjeia um povo que, de todo o seu ser, ele despreza. Ele não tem com o povo senão a mesma relação que teve com esse mesmo povo a tuberculose, a febre amarela, a sífilis. É uma doença social, o getulismo". (Tribuna da lmprensa, 12/8/1950).


Através do jornal Lacerda atacava Vargas com ameaças de uma Guerra Civil iminente caso este fosse reeleito, nada diferente do que a mídia monopolista faz com Dilma todos os dias em seus veículos, sejam eles escritos, televisados ou radiofônicos. É imperativo lembrar-se da célebre frase, eternizada pelo Lacerdismo;  “O Sr. Getúlio Vargas senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”.

Quando observo que o cenário é similar quanto ao comportamento da imprensa, observem que também na época o petróleo estava no centro da discussão  e o capital estrangeiro aliado aos conservadores e entreguistas  já faziam a disputa pela Petrobras.


Portanto, não pode haver ingenuidade ao se ler manchetes  e verticalizações destas,  de norte a sul, e achar que são apenas “coincidências” da mídia nacional. São pautas concertadas. Não são coincidências, Temos know-how sobre golpes, direita, conservadores, fascistas e conhecemos a escola da mídia na ditadura. Sejamos, portanto, vigilantes. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O mal-estar com o Brasil


O mal estar progressista acumula as dores do parto de uma nação várias vezes abortada na história. E mais uma vez agora na UTI, esmagada pelo cerco conservador.



Não se confunda esse sentimento com a histeria de uma elite incomodada com a ascensão dos pobres no mercado e na cidadania. Esta se resolve  em um resort em Miami.

O mal estar progressista acumula as dores do parto de uma nação inúmeras vezes abortada na história. E mais uma vez agora na UTI, esmagada pelo cerco conservador, respirando por aparelhos.

A construção  inconclusa de que falava Celso Furtado  enfrenta um de seus  capítulos mais angustiante nas horas que correm.

A prostração é a pior sequela.

Mãos que deveriam se unir em caminhada resoluta ruminam a solidão da espera e da dúvida, apartadas entre si e da esperança.

O conservadorismo atordoa o discernimento da sociedade com uma articulação vertiginosa de iniciativas.

Habilidosamente elas misturam o bem-vindo combate à ingerência do dinheiro organizado na vida democrática, ao lado da explícita  tentativa de se demonizar o polo progressista com o selo da política corrompida.

O desfecho cobiçado é impeachment de Dilma ou o sangramento irreversível de seu governo, e das forças que o apoiam, até o sepultamento histórico em 2018.

O que se pergunta ansiosamente é se  Lula já conversou sobre isso com Boulos, do MTST; se Boulos já conversou com Luciana Genro; se Luciana Genro já conversou com a CUT ; se a CUT já conversou com Stédile; se todos  já se deram conta de que passa da hora de uma conversa limada de sectarismos e protelações, mas encharcada das providencias que a urgência revela quando se pensa grande.

Se ainda não se aperceberam da contagem regressiva que ameaça o nascimento de um Brasil emancipado e progressista poderão ser avisados de forma desastrosa quando o tique taque se esgotar.

O mal estar progressista reflete outras perguntas que parecem desconectadas desta maior, mas que estão umbilicalmente associadas à falha na construção de uma hegemonia de esquerda que catalisasse as energias e as esperanças da sociedade em direção a um futuro compartilhado.

 ‘Quero saber quais as matérias de humanísticas existem no curso de medicina’, argui, por exemplo,  a promotora de Direitos Humanos e Inclusão Social do Ministério Público de SP,  Paula de Figueiredo Silva.

 A promotora está estarrecida com relatos feitos por alunas da USP, vítimas de abusos sexuais.

 Ela conduz um inquérito civil para   apurar denúncias de três  estupros em festas dentro de uma das  escolas  de medicina mais conceituadas do  país,  ademais de registro de preconceito racial e agressão a um casal homoafetivo que tentou participar de um dos eventos promovidos pelos estudantes nos últimos anos.

O que parece um mal-estar específico da promotora Paula de Figueiredo remete a um sentimento mais amplo quando emoldurado por episódios recentes envolvendo médicos, estudantes de medicina e entidades representativas do setor.

A 10 dias do segundo turno das eleições deste ano, e após um debate no SBT, a presidenta  Dilma teve uma queda de pressão e  interrompeu uma entrevista ao vivo.

O gaúcho Milton Pires disparou em sua página no Facebook o seguinte comentário:
"Tá se sentindo mal? A pressão baixou? Chama um médico cubano, sua grande filha da puta!”.

Pires é médico. Especialista em terapia intensiva.

No dia seguinte, a Associação Médica Brasileira (AMB) manifestou-se; não para se solidarizar com  Dilma, e sim para conclamar a classe médica a eleger Aécio Neves.

Dez dias antes, após a vitória petista no primeiro turno (5/10), o site ‘Dignidade Médica ‘, frequentado por um grupo de quase 100 mil  internautas que se identificam como médicos ou estudantes de medicina, postou dezenas de críticas à escolha das urnas.

Em uma dela, uma médica defendia 'castrações químicas'.

Outra, um ‘holocausto’.

Contra nordestinos que votaram em Dilma.

Pouco mais de um ano antes, em agosto de 2013, o médico cubano Juan Delgado, um negro a de 40 anos, foi submetido a  um coral de natureza ética equivalente  ao desembarcar  no Brasil.

Ao lado de outros profissionais de Cuba, Delgado   chegara para trabalhar no programa Mais Médicos.

Um corredor polonês   formado  por médicos e estudantes brasileiros de medicina, assediou o recém-chegado de forma agressiva no saguão do aeroporto de Fortaleza.

 ‘Escravo, escravo, escravo!’, reverberava em uníssono o funil de peles alvas e jalecos brancos.

A hospitalidade correu o mundo.

O mal-estar progressista pressentiu algo letal nas vísceras da nação, mas talvez tenha subestimado a extensão da ameaça ao nascimento de um Brasil mais próspero e justo.

Era mais que isso, mas o episódio foi interpretado como a rejeição corporativa  a um programa emergencial criado para mitigar a carência de atendimento em  municípios e periferias, onde profissionais brasileiros não querem trabalhar.

Por exemplo, nas aldeias indígenas das etnias Ka’apoo e Awá, no Maranhão.
Endereço: município de Zé Doca,  300 quilômetros de São Luís,  acessível por estrada de terra.

É lá que o doutor Juan Delgado vive e atende hoje.

Outros 14. 400 profissionais do programa fazem o mesmo  em 3.785 municípios, adicionando mais 50 milhões de brasileiros pobres à cobertura do SUS.

A receptividade a esse mutirão foi  avaliada recentemente.

Pesquisa divulgada no final de outubro, realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais   ouviu 4 mil usuários do  Mais Médicos em 200 cidades do país.

Cerca de 95% dos entrevistados declararam-se muito satisfeitos ou satisfeitos com uma iniciativa condenada por amplos segmentos da classe médica brasileira.

Notas  de 8 a 10 foram dadas ao programa por 87% dos entrevistados.

Mas, sobretudo, os usuários elogiaram o comportamento mais atencioso dos médicos.

Mais interessados em ouvir e habituados a dialogar revelaram-se mais competentes em diagnosticar e tratar.

Médicos cubanos representam 80% do alvo desse elogio.

 Por quê?  Porque apenas 1.846 brasileiros se inscreveram no programa.

Se dependesse da adesão local, 45 milhões de cidadãos continuariam apartados da assistência no país.

O mal estar progressista subestimou a clivagem embutida nessa matemática.

Não se trata de demonizar a classe médica brasileira.

Uma sociedade não é feita de anjos e demônios, mas de seres de carne, osso e circunstâncias.

São as circunstâncias que levam a estabelecer conexões entre a subestimação progressista com o que se passa na sociedade e as frequentes demonstrações de que algo dissociado da sorte do país e do destino de sua gente predomina em segmentos referenciais.

O médico e os estudantes de medicina são apenas a ilustração desse fenômeno.

O exemplo do cardiologista Adib Jatene, falecido na semana passada, é a resposta para quem enxerga nesse sentimento a expressão de um ponto de vista marcado pelo reducionismo partidário.

Jatene era um conservador.

Serviu aos governos Maluf, Collor e Fernando Henrique Cardoso.

Mas tinha um compromisso tão elevado com a medicina  que se tornou referência suprapartidária no debate das políticas públicas na área.

Ele foi o responsável pela criação da CPMF  durante o governo do PSDB.

Tornou-se um dos mais ardorosos defensores da sua   recriação quando o ‘imposto do cheque’ foi extinto pela coalizão demotucana, em dezembro de 2006.

Cerca de R$ 40 bilhões por ano foram subtraídos assim do atendimento à fila do SUS.

Um ano depois, de dedo em riste, a voz alterada, ele ainda  interpelava  Paulo Skaf, então presidente da Fiesp,  um dos animadores da campanha que uniu PSDB, Demos e outros contra a CPMF:

 ‘No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda. A CPMF não dá para sonegar! (por isso vocês são contra)". (Folha; Monica Bergamo; 13/11/2007).

A ira santa de Jatene em defesa da saúde pública contrasta com a rigidez  dos que combateram e combatem arduamente políticas como o Mais Médicos, o Bolsa Família, o ganho no poder de compra do salário mínimo, entre outras.

As diferenças não são técnicas, mas tampouco apenas partidárias, como fica claro.

São mais profundas e espraiadas.

A menos de um mês de uma vitória histórica nas urnas, tudo se passa como se o 26 de outubro fosse um ponto de referência longínquo em um calendário desbotado .

O mal estar progressista, distinto daquele que espairece no portão de embarque para Miami,   só tem cura se associado a uma mudança profunda nas instituições que esclerosaram enquanto se avançava em conquistas sociais e econômicas. E agora ameaçam reverte-las ferozmente.

Para colher frutos duradouros da faxina na corrupção, o passo seguinte não poderá se restringir a mudanças   nas regras de financiamento de campanha.

Elas são necessárias, mas insuficientes para combater o mal-estar que aqui se discute.

Dilma poderá colocar quem ela quiser na Fazenda e no Banco Central.

Mas se não cuidar de certas tarefas santas, dificilmente reverterá um estado de espírito que ameaça reduzir o seu segundo governo a um melancólico intermezzo da restauração neoliberal, com requintes de regressão política e social intuídos nos dias que correm.

O que se passou na Itália após o ‘Mãos Limpas’, nos anos 90, não é uma miragem; é uma possibilidade real em uma sociedade desprovida de representação política forte e organização social mobilzada (leia ‘Mãos Limpas; e depois, Berlusconi?’; nesta pág).

Lá como aqui o lubrificante do retrocesso histórico foi a prostração progressista;  a incapacidade de se reaglutinar a esquerda e os democratas em torno de um repto histórico de esperança para a sociedade.

Regular a mídia; eliminar a hegemonia do dinheiro organizado na política; abrir canais de diálogo consequentes e permanentes com os movimentos sociais; salvar o pré- sal e a Petrobras; atrair a juventude pobre e a da classe média para a tarefa de reformar a escola e a universidade, com o olho na formação do discernimento crítico do país e não apenas no mercado.

Se fizer isso, Dilma não levará a sociedade brasileira ao paraíso.

Mas terá dado os passos necessárias para afastar a película de mal-estar e rendição que hoje ameaça matar de inanição a esperança em um Brasil melhor.

Por onde começar?

Respondendo à pergunta ansiosamente repetida no ambiente progressista.

O que se quer saber é se Lula já conversou com Boulos, do MTST; se Boulos já conversou com Luciana Genro; se Luciana Genro já conversou com a CUT ; se a CUT já conversou com Stédile; se todos  já se deram conta de que passa da hora de uma conversa limada de sectarismos e protelações, mas encharcada das providencias que a urgência revela quando se pensa grande.

Se ainda não se aperceberam da contagem regressiva que , mais uma vez, ameaça abortar o nascimento de um Brasil emancipado e progressista, bem...
Serão avisados de forma desastrosa quando o alarme soar.


por: Saul Leblon na Carta Maior 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

SOBRE O FASCISMO NAS ELEIÇÕES 2014



Tenho insistido aqui sobre o "fascismo" que brotou na discussão política, nas redes, nos bares e no decorrer desta eleição e devo algumas considerações sobre isso. Vou falar de maneira genérica sobre, entretanto, sugiro uma reflexão breve sobre o tema e quem tiver tempo que pesquise do que se trata.

Ocorre que o "fascismo" aqui ventilado (eleitoral) é o "fascismo coxinha", uma imitação do que ocorreu na Europa no início do século XX. Aqui suas manifestações foram grotescas e pífias, visto que o "fascismo" aqui careceria de um partido de vanguarda que representasse e unisse os avacalhadores num movimento nacionalista. Mas, ao contrário disso, eles não defendem o país, são relez entreguistas e sem projeto nacional ou de futuro.

Falta intelectualidade e articulação para os fascistas tupiniquins. O totalitarismo que pretendem nem eles compreendem. São incapazes de formular ou de copiar fielmente o movimento europeu daquela época.

Os fascistas brasileiros têm apenas resquícios de militarismo, imperialismo, etnocentrismo, preconceito. Falta-lhes o conceito por burros, por limitações, a única identificação é que são de extrema direita.
O fascismo brasuca é permeado pela mídia quando alardeia a "terceira via", a “alternativa” sempre em voga em períodos eleitorais. Falta-lhes liderança, partido forte e conhecimento.

Os sintomas "fascistas" são fáceis de diagnosticar. Vemos isso nas atitudes cotidianas de pessoas bem próximas. Apenas elas não percebem isso.
Estes sintomas são de toda ordem, infectado em cada opinião, cada gesto ou atitude. São fascistas no DNA, encapsulados pela falta de inteligência.

Fique atento quando ouvir posições sobre "protecionismo, nacionalismo, privatizações, intervencionismo, qualquer preconceito e 3ª posição". Isso é Fascismo
Dito isso, esclareço porque repeti tanto a expressão "fascismo" durante a campanha. São identificações que merecem vigilância e devem ser combatidas, com vigor e energia.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Por que votar em Dilma?




O povo brasileiro escolherá em 26 de outubro entre dois caminhos.

As duas candidaturas compartilham três compromissos fundamentais, além do compromisso maior com a democracia: estabilidade macroeconômica, inclusão social e combate à corrupção. Diferem na maneira de entender os fins e os meios. Diz-se que a candidatura Aécio privilegia estabilidade macroeconômica sobre inclusão social e que a candidatura Dilma faz o inverso. Esta leitura trivializa a diferença.

Duas circunstâncias definem o quadro em que se dá o embate. A primeira circunstância é o esgotamento do modelo de crescimento econômico no país. Este modelo está baseado em dois pilares: a ampliação de acesso aos bens de consumo em massa e a produção e exportação de bens agropecuários e minerais, pouco transformados. Os dois pilares estão ligados: a popularização do consumo foi facilitada pela apreciação cambial, por sua vez possibilitada pela alta no preço daqueles bens. Tomo por dado que o Brasil não pode mais avançar deste jeito.

A segunda circunstância é a exigência, por milhões que alcançaram padrões mais altos de consumo, de serviços públicos necessários a uma vida decente e fecunda. Quantidade não basta; exige-se qualidade.

As duas circunstâncias estão ligadas reciprocamente. Sem crescimento econômico, fica difícil prover serviços públicos de qualidade. Sem capacitar as pessoas, por meio do acesso a bens públicos, fica difícil organizar novo padrão de crescimento.

O país tem de escolher entre duas maneiras de reagir. Descrevo-as sumariamente interpretando as mensagens abafadas pelos ruídos da campanha. Ficará claro onde está o interesse das maiorias. O contraste que traço é complicado demais para servir de arma eleitoral. Não importa: a democracia ensina o cidadão a perceber quem está do lado de quem.

1. Crescimento econômico. Realismo fiscal e manutenção do sacrifício consequente são pontos compartilhados pelas duas propostas. Aécio: Ganhar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros. Restringir subsídios. Encolher o Estado. Só trará o crescimento de volta quando houver nova onda de dinheiro fácil no mundo. Dilma: Induzir queda dos juros e do câmbio, contra os interesses dos financistas e rentistas, sem, contudo, render-se ao populismo cambial. Usar o investimento público para abrir caminho ao investimento privado em época de desconfiança e endividamento. Apostar mais no efeito do investimento sobre a demanda do que no efeito da demanda sobre o investimento.

Construir canais para canalizar a poupança de longo prazo ao investimento de longo prazo. Fortalecer o poder estratégico do Estado para ampliar o acesso das pequenas e médias empresas às práticas, às tecnologias e aos conhecimentos avançados. Dar primazia aos interesses da produção e do trabalho. Se há parte do Brasil onde este compromisso deve calar fundo, é São Paulo.

2. Capital e trabalho. Aécio: Flexibilizar as relações de trabalho para tornar mais fácil demitir e contratar. Dilma: Criar regime jurídico para proteger a maioria precarizada, cada vez mais em situações de trabalho temporário ou terceirizado. Imprensado entre economias de trabalho barato e economias de produtividade alta, o Brasil precisa sair por escalada de produtividade. Não prosperará como uma China com menos gente.

3. Serviços públicos. Aécio: Focar o investimento em serviços públicos nos mais pobres e obrigar a classe média, em nome da justiça e da eficiência, a arcar com parte do que ela custa ao Estado. Dilma: Insistir na universalidade dos serviços, sobretudo de educação e saúde, e fazer com que os trabalhadores e a classe média se juntem na defesa deles. Na saúde, fazer do SUS uma rede de especialistas e de especialidades, não apenas de serviço básico. E impedir que a minoria que está nos planos seja subsidiada pela maioria que está no SUS. Na segurança, unir as polícias entre si e com as comunidades. Crime desaba com presença policial e organização comunitária. A partir daí, encontrar maneiras para engajar a população, junto do Estado, na qualificação dos serviços de saúde, educação e segurança.

4. Educação. Aécio: Adotar práticas empresariais para melhorar, pouco a pouco, o desempenho das escolas, medido pelas provas internacionais, com o objetivo de formar força de trabalho mais capaz.Dilma: A onda da universalização do ensino terá de ser seguida pela onda da qualificação. Acesso e qualidade só valem juntos. Prática empresarial, porém, tem horizonte curto e não resolve. Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia indicam o caminho: substituir decoreba por ensino analítico. E juntar o ensino geral ao ensino profissionalizante em vez de separá-los. Construir, do fundamental ao superior, escolas de referência. A partir delas, trabalhar com Estados e municípios para mudar a maneira de aprender e ensinar.

5. Política regional. Aécio: Política para região atrasada é resquício do nacional-desenvolvimentismo. Tudo o que se pode fazer é conceder incentivos às regiões atrasadas. Dilma: Política regional é onde a nova estratégia nacional de desenvolvimento toca o chão. Não é para compensar o atraso; é para construir vanguardas. Projeto de empreendedorismo emergente para o Nordeste e de desenvolvimento sustentável para a Amazônia representam experimentos com o futuro nacional.

6. Política exterior. Aécio: Conduzir política exterior de resultados, quer dizer, de vantagem comerciais. E evitar brigar com quem manda. Dilma: Unir a América do Sul. Lutar para tornar a ordem mundial de segurança e de comércio mais hospitaleira às alternativas de desenvolvimento nacional. E, num movimento em sentido contrário, entender-nos com os EUA, inclusive porque temos interesse comum em nos resguardar contra o poderio crescente da China. Política exterior é ramo da política, não do comércio. Poder conta mais do que dinheiro.

7. Forças Armadas. Aécio: O Brasil não precisa armar-se porque não tem inimigos. Só precisa deixar os militares contentes e calmos. Dilma: O Brasil tem de armar-se para abrir seu caminho e poder dizer não. Não queremos viver em mundo onde os beligerantes estão armados e os meigos indefesos.

8. O público e o privado. Aécio: Independência do Banco Central e das agências reguladoras assegura previsibilidade aos investidores e despolitiza a política econômica. Dilma: A maneira de desprivatizar o Estado não é colocar o poder em mãos de tecnocratas que frequentam os grandes negócios. É construir carreiras de Estado para substituir a maior parte dos cargos de indicação política. E recusar-se a alienar aos comissários do capital o poder democrático para decidir.

Aécio propõe seguir o figurino que os países ricos do Atlântico Norte nos recomendam, porém nunca seguiram. Nenhum grande país se construiu seguindo cartilha semelhante. Certamente não os EUA, o país com que mais nos parecemos. Ainda bem que o candidato tem estilo conciliador para abrandar a aspereza da operação.

Dilma terá, para honrar sua mensagem e cumprir sua tarefa, de renovar sua equipe e sua prática, rompendo a camisa de força do presidencialismo de coalizão. E o Brasil terá de aprender a reorganizar instituições em vez de apenas redirecionar dinheiro. Ainda bem que a candidata tem espírito de luta, para poder aceitar pouco e enfrentar muito.

Estão em jogo nossa magia, nosso sonho e nossa tragédia. Nossa magia é a vitalidade assombrosa e anárquica do país. Nosso sonho é ver a vitalidade casada com a doçura. Nossa tragédia é a negação de instrumentos e oportunidades a milhões de compatriotas, condenados a viver vidas pequenas e humilhantes. Que em 26 de outubro o povo brasileiro, inconformado com nossa tragédia e fiel a nosso sonho, escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

MEU PARTIDO É O RIO GRANDE?






Com este bordão e se apresentando como o “gringo bom”, e não discuto este mérito, José Ivo Sartóri candidato ao governo do RS pelo PMDB, o partido do Britto e do Pedro Simon chega ao segundo turno das eleições para governador do RS desmascarando os "Institutos de Pesquisas" que lhe colocavam em terceiro lugar na disputa, inclusive na "Boca de Urna".  Ele tem 66 anos dos quais 24 anos como deputado, 4 como vereador e 8 como prefeito, inclua-se aí os anos em que foi secretário de Estado do Trabalho e Ação Social.

Portanto, não me venha com meiguices Sartori, sei que teu partido é o PMDB e o que vocês fizeram com o Rio Grande. Sei que estavas com Britto e Simon e também sei que funcionários da extinta Caixa Econômica Estadual que até hoje perambulam de setor em setor do Estado também sabem qual é o teu partido.

Foi seu partido Sartóri que com Britto venderam a CRT que, aliás, a RBS e Armínio Fraga agradecem até hoje. O Rio Grande jamais será o seu partido, nem seu nem do Britto. Seu partido faliu a CEEE, vendeu o filé para a RGE e AES-SUL e deixou o osso para o Estado gaúcho, osso que roemos até hoje. Este é o seu partido, o PMDB.

Seu partido endividou o Rio Grande com a negociação feita por Britto com FHC e o senhor era deputado. Da mesma forma privatizaram as estradas gaúchas que foram entregues por 20 anos para concessionárias que assaltaram o povo gaúcho com pedágios vergonhosos e deixaram de herança estradas esfareladas para a EGR.
Para os incautos e defensores do “Meu Partido é o Rio Grande” gostaria que me citassem duas ou três propostas claras e objetivas do “bom gringo”, José Ivo Sartóri. Fiquem a vontade nos comentários para cita-las.

Aproveitem e respondam porque sua esposa que atualmente é deputada estadual não se reelegeu com os votos de Caxias do Sul? Será porque lá eles sabem quem é o gringo? Porque na sua cidade não existe a comoção e o apoio que alguns guascas desavisados lhe emprestam nesta candidatura meiga e vazia?
A política e a condução de um Estado e de um país exigem muito mais que palavras românticas e despretensiosas. A história recente mostra o que o partido do Sartóri fez ao Rio Grande, e até os minerais sabem que seu partido é o PMDB;



sábado, 6 de setembro de 2014

A ignorância política numa democracia adolescente


A democracia recente, ainda adolescente no Brasil permite as mais bizarras cenas, interpretações e análises.
Esta eleição é um exemplo claro da contradição de eleitores, candidatos/as e prioritariamente da mídia, que no Brasil se tornou um grande partido político, aliás, dos mais influentes, visto que entra na casa de todas as classes sociais.

Fosse à eleição algo pra ser avaliado do ponto de vista técnico, dos resultados econômicos, financeiros, da inclusão social, das melhorias na educação, saúde e segurança, como apregoam todo e qualquer candidato de qualquer partido, diria: Dilma no Brasil e Tarso no Rio Grande são imbatíveis, considerando os resultados de seus governos.

Entretanto, os cenários pintados, mascarados pela mídia, por interesses inconfessáveis e recheado pela ignorância política da maioria da sociedade brasileira, estes aspectos se tornam secundários. Portanto, as bizarrices de “supostos” candidatos da “educação, saúde, inclusão, etc”, sucumbe diante dos indicadores, mas, infelizmente prospera na incapacidade de interpretação de eleitores desinformados, ou melhor, mal informados e manipulados por uma mídia que é ao fim e ao cabo, anti povo, antinacionalista e que defende apenas seus interesses.

Estes eleitores que tem sua maior erudição nos panfletos diários e em magazines semanais são os inocentes uteis de uma elite real. A classe média brasileira é das mais estúpidas e reacionárias, fruto da cultura de subir derrubando os outros, são uma classe melhorada com acesso a determinados serviços e que se acham “ricos”, se creem parte do sistema, e o são, mas a parte escrota, a camada de sustentação de quem realmente detém o capital e lhes oferece migalhas como benesses.

Com base nisso e com um ódio alimentado por um partido dito de “esquerda”, repetem o bordão da mídia e da elite, mesmo sabendo que quem lhes melhorou a vida foram justamente às políticas econômicas e sociais implantadas no Brasil nestes últimos 12 anos.

Esta será a 7º eleição depois da redemocratização do Brasil, em três delas os representantes do conservadorismo venceram, em outras três venceu o PT, com Lula e Dilma,  os resultados, os números, os indicadores que constam de institutos oficiais, nacionais e internacionais não permitem nenhuma margem para equívocos quando comparados. Isto comprova que o que interessa não são melhorias econômicas e sociais, estes temas servem como discurso e não como instrumento de convencimento, se assim fosse, a disputa não teria a menor graça. Sabemos a favor de quem depõem os números.

A despolitização, a ignorância e o destrambelhamento de quem se diz “apolítico”, permite que a sombra de um defunto, uma candidata sem partido e um representante da oligarquia que quebrou três vezes o Brasil e colocou o país de joelhos ainda hoje façam a disputa presidencial e ganhem relevância na sociedade e nos meios de comunicação;

É demasiada estupidez para ser analisada.